Visibilidade Trans é compromisso. Ou é omissão.
O Dia Nacional da Visibilidade Trans não é simbólico. Ele existe porque pessoas trans ainda precisam lutar pelo direito básico de existir com dignidade. E é importante dizer isso com clareza: empresas não são neutras. Toda vez que uma organização se omite diante da violência, ela não está sendo imparcial. Ela está sendo conivente. Está validando o silêncio que sustenta o preconceito. Visibilidade exige ação, não discurso.
O combate à violência contra pessoas trans não se faz apenas com notas públicas ou campanhas pontuais. Ele se constrói com ações estruturais, contínuas e mensuráveis. Isso significa assumir responsabilidades em todos os níveis da organização, desde processos de recrutamento e seleção realmente inclusivos, passando por políticas claras de permanência e desenvolvimento, até a representatividade nos espaços de decisão, nos níveis estratégicos mais elevados.
Não basta contratar. É preciso garantir acesso, voz, permanência e possibilidade real de crescimento. Diversidade sem poder vira decoração. Inclusão sem estratégia se esvazia em discurso. E visibilidade sem ação não protege ninguém.
“Visibilidade exige ação, não discurso”
Quando a empresa transforma discurso em prática
Hoje, no Dia Nacional da Visibilidade Trans, tive a oportunidade de vivenciar exatamente esse compromisso na prática. Como Gerente de Melhoria Contínua na Cielo, ministrei a palestra “Letramento e Sensibilização LGBTQIAPN+ e Vivências Trans” para colegas da empresa. Não como um gesto simbólico, mas como parte de uma construção institucional que entende que letramento, escuta e sensibilização são ferramentas reais de transformação cultural.
Abrir espaço para que uma mulher trans fale sobre sua própria vivência, sua pauta e seus atravessamentos no ambiente corporativo, especialmente nesta data, é uma escolha que comunica valores. A Cielo demonstra, com ações concretas, que diversidade, inclusão e ESG não se limitam a discurso, mas fazem parte da forma como a empresa aprende, se posiciona e evolui.

O papel das empresas na proteção de vidas
Empresas têm um papel central na transformação social porque moldam culturas, comportamentos e referências. Quando uma organização se posiciona, ela educa. Quando age, ela protege. Quando se cala, legitima a exclusão.
No Dia Nacional da Visibilidade Trans, o convite não é à celebração superficial. É à responsabilidade. Porque, enquanto existir violência, visibilidade não é pauta identitária. É pauta de direitos humanos, de governança e de ética corporativa. E não há ESG possível onde a dignidade de pessoas ainda é negociável.


