Um mês de luta
Entramos no Mês da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, e isso não é por acaso. A data marca um momento histórico: em 2004, o lançamento da campanha “Travesti e Respeito” simbolizou a primeira vez que pessoas trans ocuparam, de forma organizada, espaços institucionais para reivindicar algo fundamental: o direito de existir com dignidade.
Desde então, a visibilidade passou a ser reconhecida como um passo essencial para a cidadania. Não como concessão, não como favor… Mas como direito!
Os dados mais recentes disponíveis reforçam o tamanho do desafio que ainda enfrentamos. Em 2024, o Brasil registrou 122 mortes de pessoas trans e travestis, mantendo, pelo 16º ano consecutivo, a liderança global em assassinatos dessa população.
Os dados referentes a 2025 ainda estão em processo de consolidação e, até o momento, não indicam avanços significativos. Infelizmente, 2026 já começou com o registro de mais uma vítima da violência.
Esse cenário deixa claro por que a Visibilidade Trans não pode ser tratada como uma data simbólica isolada no calendário. Um dia não é suficiente quando a negação de direitos ainda é cotidiana. O mês existe para concentrar esforços, ampliar vozes, ocupar espaços e garantir que o tema permaneça em pauta, inclusive nos ambientes institucionais, corporativos e de decisão.
Visibilidade precisa vir acompanhada de ações efetivas no combate ao preconceito, em promoção de direitos e na construção de ambientes mais seguros, diversos e comprometidos com a dignidade humana.
Existir, no Brasil, ainda é um ato político.


